A Peregrinação de Nhá Chica é uma caminhada de fé que está na sua XXI edição.



 

A Peregrinação

A peregrinação de Nhá Chica acontece anualmente no dia 1º de maio. O percurso de 33 quilômetros corta as cidades de São Lourenço, Caxambu, Soledade de Minas e Baependi. A realização acontece com o apoio das prefeituras das cidades citadas, empresas, instituições e voluntários.

Em suas primeiras edições, a peregrinação teve como ponto de partida oficial uma capela erguida no bairro Nossa Senhora de Lourdes. Localizada na Rua Ana Amélia P. Ferreira, a edificação foi erguida por Marco Auréllio Rodrigues, de 65 anos, nas adjacências de sua casa. Com sua arquitetura peculiar, a capela cuja construção foi iniciada em 1997, chama a atenção de quem passa pelo bairro.
Nos primeiros anos a organização estabelecia o amanhecer como horário de partida, no entanto, com o crescimento do número de peregrinos e com as primeiras missas em Baependi sendo celebradas logo cedo, muitos fiéis estabeleceram a caminhada noturna como referência.

diferentes motivações levam devotos e turistas a percorrerem os 33 quilômetros de caminhada, cruzando estradas de terra das zonas rurais das quatro cidades do circuito, até o ponto de chegada, o Santuário Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como Igreja de Nhá Chica, na cidade de Baependi. Ali podem assistir missas e depositar oferendas para a beata.

A grande enchente de 2000 e a criação do caminho de Nhá Chica

As enchentes são eventos com significados sociais e históricos para grupos expostos aos seus motivos e consequências. Frequentemente, tornam-se marcos para diversas comunidades. De acordo com o historiador Luiz Henrique Assis Garcia, autor do projeto “Águas Passadas, As memórias sobre enchentes e o processo de territorialização às margens do Rio Doce em Governador Valadares”, “as enchentes são momentos em que se revelam tensões e articulações fundamentais para a melhor compreensão do surgimento e territorialização dos bairros ribeirinhos, e da própria relação entre sociedade e território”.

Dito isto, é preciso observar que a área central da cidade de São Lourenço, onde está localizado o Parque das Águas, as principais empresas e hotéis do município, além da Basílica de São Lourenço Mártir, é cortada pelo Rio Verde, importante curso d’água que nasce na Serra da Mantiqueira entre os municípios de Itanhandu e Passa Quatro. Desde sua formação como um pequeno núcleo populacional, São Lourenço sofre com os efeitos das cheias daquele rio.

Em 2000, o município foi assolado por uma tromba d’água que deixou a parte mais baixa da cidade completamente inundada, incluindo o Parque das Águas, principal atrativo turístico do município, além de todo centro. A enchente teve um impacto imediato na economia são- lourenciana. De acordo com notícia veiculada no Diário do Grande ABC em 08 de janeiro de 2000:
Em São Lourenço, cidade turística do Circuito das Aguas, 95% do setor comercial - rede hoteleira, bancária e de serviços - foi arruinada. Em plena temporada, o Parque das Águas, principal atração do lugar, está cheio de lama. Mais de 40% das reservas do mês foram canceladas. O mesmo ocorreu em Caxambu e Lambari. (Diário do Grande ABC, 08/01/2000).
Após a enchente, a comunidade buscou alternativas para se reerguer. Empreendedores locais criaram uma organização denominada de Movimento Viva São Lourenço Viva com o objetivo de fomentar o comércio e o turismo local. Naquele ano, o Movimento identificou a possibilidade de se desenvolver o turismo religioso na cidade, efetivando a caminhada em direção à Capela de Nhá Chica em Baependi como um importante bem cultural local.

De acordo com João Vítor Gorgulho, empresário e fundador do Movimento Viva São Lourenço Viva, a primeira caminhada entre São Lourenço e Baependi aconteceu em 1999 com a participação de aproximadamente 700 pessoas.

“Daí veio a enchente e nós resolvemos tornar essa caminhada efetiva para divulgar a região e o turismo religioso. (...) O Movimento resolveu fazer essa peregrinação daqui a pé até Nhá Chica aos moldes de Santiago de Compostela, está certo? Mas, pequena, de um dia”, contou Gorgulho durante depoimento concedido à historiadora Carla Corradi Rodrigues em fevereiro de 2018.

Os peregrinos são atraídos “pelo ideário de transformação interior e aperfeiçoamento pessoal que normalmente é atribuído a esse tipo de peregrinação”.

Documentos que fazem parte da história



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